Sexta-feira, Outubro 28, 2005

e-mail enviado por Hugo Martinho - Ponte de Sor

A insustentável diferença

Na passada quinta-feira o Professor Cavaco Silva, apresentou a candidatura à Presidência da República, no CCB, perante uma plateia de jornalistas e apenas com a companhia do mandatário nacional e da juventude, do director de campanha e da sua esposa.

O quadro dos candidatos ficou completo, de um lado os candidatos partidários (Louça, Jerónimo e Soares) apoiados directamente pelas máquinas e pelos aparelhos partidário, do outro os candidatos (Cavaco e Alegre) que embora não renegando a matriz ideológica que os orienta, preferiram distanciar-se, cumprindo o preceito constitucional de uma candidatura independente e por isso com maior capacidade de congregar TODOS os portugueses.

Pessoalmente, sempre admirei o perfil de rigor e competência de Cavaco Silva, não tenho dúvidas em considerá-lo como o melhor Primeiro - Ministro e líder que o país já teve, na história democrática. Volvidos dez anos de governação Cavaco Silva mergulhou na vida académica que tanto o completava e na intervenção cívica e social, intervindo sempre que sentia que era a hora de dar um contributo, apresentou-se sempre como um Homem livre, despreocupado com o intervencionismo e as estratégias partidárias, em suma: fez democracia.

Embora Cavaco tenha criado em alguns sectores da sociedade anticorpos, que se transformaram num misto de ódio/inveja, durante os últimos dez anos, cada vez que Cavaco Silva falava, Portugal ouvia-o suspenso, com atenção e respeito. As suas intervenções eram analisadas nas entrelinhas e começaram a tecer-se teses de que este iria voltar um dia à causa pública. Cavaco sempre entendeu a causa pública, como um dever cívico e ao alcance de todos, sempre entendeu que esta não se resumia à palavra política.

Ao longo da última década, sucessivas crises económicas e sociais eclodiram, às vezes esquecidas por momentos de euforia nacional (como a expo98 e o euro). O país mergulhou num clima de instabilidade política, no culto do “facilitismo” e do remendo da manta rota, na descrença e na falta de ideais. A crise instalava-se, nas finanças públicas, nas empresas e sobretudo nos bolsos dos portugueses. Os portugueses afastaram-se dos políticos e deixaram de acreditar naqueles que os representam.

Ao mesmo tempo, qual Bandarra, começou a instalar-se o mito de D. Sebastião e do Salvador da Pátria. Perfeitamente natural, somos Portugueses, corre-nos nas veias o misticismo e a esperança platónica!Cavaco não é o Salvador da Pátria, nem D. Sebastião, Cavaco é Cavaco, o rapaz magriço de Boliqueime, de origem humilde e rural, de trato leve e afável, que estudou, trabalhou e cresceu na vida, com sacrifício, dedicação e esforço.

O «provinciano», como alguns dos seus opositores o tratavam, foi o Homem que não precisou de «cunhas», nem «amigalhaços» para se tornar naquilo que é! Não fugiu, não se escondeu, não vendeu a sua imagem às televisões e não teve medo de ser esquecido.

O país, mais do que nunca, precisa hoje de Cavaco, precisa do seu rigor e competência, precisa do seu estilo e da sua dedicação.

Cavaco não será nenhuma força de bloqueio nem a oposição de Belém, o interesse de Cavaco ultrapassa as cores partidárias e as conspirações do Aviz, o interesse de Cavaco é a contribuição para a melhoria da vida de TODOS os portugueses, através da colaboração com o governo e com as organizações de cariz social, cultural e económico, para dar a TODOS um futuro melhor.

Incansável trabalhador, tenho a certeza, que vai dar o tudo por tudo, para nos dar um novo alento e esperança, em prol das gerações de hoje e amanhã.

H.M. Martinho